domingo, 13 de setembro de 2026

SAMUEL JORGE DE MELO

 Um dos grandes conhecedores de plantas do Brasil, também conhecido como o Mestre Samuel. 



Revendo meus álbuns de fotografias antigas deparei com uma sequência de fotos feitas no Santuário Ecológico de Miraporanga do saudoso amigo Samuel Jorge de Melo falecido em 09/09/2001, um grande conhecedor de plantas que reuniu em suas coleções espécies de valor inestimável. Por curiosidade resolvi dar uma rápida pesquisadinha na Internet para saber mais sobre o Mestre Samuel e grande foi a minha surpresa ao encontrar apenas uma ocorrência, uma imagem dele juntamente com a apresentadora Ana Maria Braga durante um dos programas da Rede Record onde semanalmente falavam sobre uma determinada planta. 



Dentre os grandes conhecedores de plantas que atuaram durante o período anterior ao advento das redes sociais provávelmente o Samuel Jorge de Melo seja de quem menos encontramos informações nos sites de busca sobre suas atividades desenvolvidas até a década de 90. O Mestre Samuel como era chamado carinhosamente pelos seus amigos foi proprietário da empresa Exótica Paisagismo situada no Bairro Butantã em São Paulo onde atendia seus clientes e amigos sempre oferecendo novidades em plantas e também onde desenvolvia seus projetos paisagísticos. No entanto as suas raridades em espécies de plantas eram cultivadas no seu sitio que ele batizou de Santuário Ecológico de Miraporanga próximo da cidade de Suzano. Um lugar incrível com muita vegetação nativa ao redor com muitas espécies de melastomatáceas e até cambuciseiros nativos. Também com muitos animais silvestres, havia até um acordo entre ele e as autoridades ambientais que bichos apreendidos de comerciantes ilegais podiam ser soltos em sua propriedade. Nesse sítio ele recebia um seleto grupo de amigos colecionadores e cultivadores de plantas, todos aficionados por espécies raras quando realizavam trocas das novidades. Eu participei de vários desses encontros muito agradáveis sempre levando alguma espécie que ele ainda não tinha e trazendo outras de sua vasta coleção. O protocolo era sempre o mesmo, nós nos reuníamos em seu escritório, ele servia a todos sua famosa cachaça com Cambuci curtida em barris de madeira com carvão ativado, aos não apreciadores do aguardente servia um delicioso suco de Cambuci gelado. Depois de animada conversa ele nos convidava para um passeio para nos mostrar as novidades recém introduzidas e plantadas em sua coleção. Sua coleção continha espécies muito especiais, uma que fiquei bastante impressionado foi um belíssimo e saudável exemplar da raríssima Metasequoia glyptostroboides conhecida como Sequóia-da-Aurora. Essa árvore era conhecida apenas por registros fósseis de milhões de anos e chegou a ser considerada extinta pela ciência até que exemplares vivos foram descobertos na China na década de 1940.

                                                          Metasequoia glyptostroboides 

Aprendi muito sobre espécies  exóticas ornamentais nessas visitas, foi em um dessses encontros que fiquei sabendo que a melhor espécie de Eucalipto de flores vermelhas para se cultivar aqui no Brasil era o Eucalyptus (Corymbia) ptychocarpa, nós viveiristas insistíamos no Eucalyptus ficifolia que devido à falta das exigências climáticas necessárias nunca florescia de forma abundante. Trouxe várias sementes do Eucalyptus ptychocarpa e passamos a cultivar somente essa espécie, e realmente essa espécie é muito fácil de cultivar e muito ornamental, produz grande quantidade de flores grandes reunidas em cachos densos e duráveis, suas folhas são grandes e de coloração verde-claro e também os frutos quando maduros, após soltarem as sementes podem ser usados em arranjos florais. 

                                                    Eucalyptus ( Corymbia ) ptychocarpa 

Houve um fato engraçado com as nossas trocas de espécies, comuniquei a ele que havíamos produzido um lote da curiosa Árvore-Couve ( Anthocleista grandiflora ) originária da região do Transvaal no Nordete da África do Sul, árvore que quando nova apresenta folhas enormes bem verdes e tenras, boa até para vasos. Ele ficou entusiasmado e me pediu vários exemplares. Na pressa de entregar enviei as mudas com um fretista que cobriu as plantas com uma tela (sombrite), o atrito e o vento que passou entre as frestas fez grande estrago nas folhas, chegaram a ele todas rasgadas com aspecto horrível. O Samuel ficou muito decepcionado, levou um bom tempo para recuperar as plantas. 

                                                                Anthocleista grandiflora  

Seu sitio estava situado entre trechos de mata nativa, nesse local havia até exemplares antigos e enormes de uma das nossas mais importantes espécies de frutíferas da Mata Atlântica, o Cambuci (Campomanesia phaea) dos  quais anualmente ele colhia grande quantidade de frutos e batia no liquidificador formando uma pasta que colocava em potinhos plásticos e congelando em seguida, dessa maneira ele tinha polpa durante o ano todo. 

                                                      Cambuci ( Campomanesia phaea )

Nessa propriedade também havia várias espécies de melastomatáceas nativas, algumas extremamente interessantes como a que ele chamava de Manacá Vermelho ( Tibouchina sp. ) cujas flores também mutabilis ao invés de branco para roxo, mudavam do branco para o vermelho. Outra muito interessante era a qual ele chamava de Manacá Branco (Tibouchina sp.) que produzia flores graúdas brancas com um estreito contorno azul ao redor das pétalas, todas arbóreas com porte considerável.  Cheguei a trazer as duas espécies para plantio em Limeira, porém não se adaptaram ao nosso clima muito quente e seco durante o outono/inverno aqui de nossa região e acabamos perdendo os exemplares plantados. Ele também mantinha uma grande colecão de plantas variegadas e consegui com ele algumas preciosidades como o Asparagus densiflorus "Sprengeri" Variegata e também o Mini Espatifilo Variegado (Spathiphyllum wallisii "Petite"Variegata ), espécies que guardo até hoje. 

                                               Spathiphyllum wallisii "Petite" Variegata 

Sua coleção reunia árvores, arbustos, herbáceas, carnívoras, orquidáceas, frutíferas, aquáticas, poáceas (gramíneas), broméliaceas, grande acervo de aráceas e trepadeiras raras e comuns também ; não se posicionava entre nativas ou exóticas, colecionava de tudo. Também me presenteou com duas trepadeiras muito ornamentais e nativas, ambas da família das bignoniáceas : Cipó Vermelho (Frediricia speciosa) e Cipó Branco Perfumado (Arrabidaea triplinervia) , as quais se adaptaram muito bem no clima de Limeira. Do Cipó Vermelho ele cultivava um exemplar enorme que cobria parte da varanda de sua casa em Miraporanga. 

                                                                   Fredericia speciosa

                                           
                                                                 Arrabidaea triplinervia

Normalmente quando visitávamos o Mestre Samuel formávamos um grupinho de amigos de várias cidades : Limeira, Nova Odessa, Campinas e São Paulo, uma turminha muito divertida e com "muita história" prá contar sobre plantas. Cada um levava algumas espéciea que considerava especial para presentearmos ele e marcávamos de nos encontrar lá em Miraporanga. Foram momentos muito agradáveis que ficarão  nas nossas memórias para a vida toda e que deixaram vínculos de amizade muito fortes . A seguir postarei algumas fotos desses encontros da turminha, momentos muito divertidos e instrutivos :  

                                             Luis Bacher, D. Araci (esposa) e Samuel
                                              
                                         
                                            Raul Porto, D. Araci, Samuel, Luis Bacher e neto.
                                                                                          
                                          Raul Porto, D.Araci, Samuel, Alvimar Cazetto e neto.

                                                                                            
                                            Francisco de Assis Leitão de Moraes, Raul Porto,
                                           Christian Dierberger, D. Araci, Samuel, Alexandre   
                                           Rocha e André Falango.     
                                                                                                                                
                                               Ingo Reibel, Eduardo Bacher, André Falango, 
                                               D. Araci, Samuel e Luis Bacher

                                                  
                                            Samuel, Christian Dierberger, Luis Bacher , Raul 
                                            Porto, André Falango e Francisco de Assis Leitão 
                                            de Moraes.
                                                     
                   
                                       
                                                  Luis Bacher e Samuel Jorge de Melo.

Finalizando a homenagem ao saudoso amigo estou postando uma belíssima e completa  matéria sobre o  Mestre Samuel   publicada   pelos  amigos  da  Revista NATUREZA ,  a  mais  importante  publicação mensal  sobre  plantas  no  Brasil  onde  tive o  prazer  de  conhecer  o  Samuel  Jorge  de  Melo  pois trabalhamos juntos um longo período como consultores respondendo dúvidas dos leitores : 


                                                                                    

                                                                                     

                                                                                    

                                                                                     

                                                                                    

                                                                                     


  • Texto e Fotos :  Arquivo LUIS BACHER  luis.bacher@gmail.com   Whatsapp (19) 99143-5351
Fonte : Revista NATUREZA





















                                                          






quinta-feira, 25 de julho de 2024


 

                                         PODCAST  ARTE  DA  MATA

  Entrevista na Íntegra com LUÍS BACHER, responsável pelo Blogger PLANTAS INCRÍVEIS       falando sobre sua experiência de trabalhar com plantas durante 46 anos de atividade neste setor.   A entrevista abordou assuntos relacionados a uso de plantas nativas brasileiras em projetos     paisagisticos, plantas consideradas invasoras  e outros diversos assuntos.

                                                                         


                                                                      LUÍS BACHER  


                                   Link  da entrevista :  https://www.youtube.com/watch?       v=3truPgogmzU&list=PLQ_RJ0sLt85-R0bAWfZMv6VSrWf0gYdnr&index=3



 



                                        



                                                         

                                                                                    

                                                                             


                                                                               

domingo, 28 de janeiro de 2024

O CASTANHEIRO-AUSTRALIANO (Castanospermum australe A.Cunn & C.Fraser ex Hook )

Nessa postagem vamos falar de uma árvore ornamental  que há muito tempo é cultivada aqui no Brasil mas mesmo assim ainda é pouco conhecida devido à pouca quantidade de exemplares plantados principalmente em arboretos de colecionadores. Estamos falando do CASTANHEIRO-AUSTRALIANO ( Castanospermum australe), conhecido na Austrália como Moreton Bay Chestnut que produz uma floração muito decorativa com flores reunidas em cachos que brotam diretamente dos galhos.

                                                                                   

      

O gênero Castanospermum pertence à família das fabáceas e possui apenas uma espécie, o Castanospermum australe conhecido na Austrália como Castanheiro da Baía de Moreton. Essa árvore é encontrada em estado nativo nas florestas tropicais costeiras e praias daquele país, desde Lismore, Nova Gales do Sul até Iron Range , Península do Cabo York, na costa de Queensland  e 160 km. a oeste das Montanhas Bunya. Essa árvore desenvolve-se bem em solos úmidos, férteis e bem drenados, em terraços nas encostas de montanhas ou ao longo das margens de rios e riachos. O Castanheiro-Australiano também é encontrado nativo em outros pequenos países da Oceania com Nova Caledônia e Vanuatu. Essa árvore apresenta um porte considerável e em condições favoráveis pode atingir um tamanho médio variando de 20 a 40 metros de altura. É uma espécie com vários atributos ornamentais pois sua copa é bastante frondosa com folhas pinadas verde-escuras brilhantes e galhos baixos quando cultivada em locais mais abertos, não de forma adensada. Durante o final do inverno e início da primavera ela floresce apresentando cachos que reúnem grande quantidade de flores que mudam de cor à medida que vão amadurecendo passando do amarelo ao laranja  até o vermelho . Essas flores que brotam diretamente dos galhos ficam parcialmente escondidas pela folhagem densa. Após a floração formam-se grandes frutos cilíndricos e lenhosos que podem atingir de 12 a 20 cm. de comprimento por 4 a 6 cm. de diâmetro os quais alojam de 1 até 5 sementes em formato de grandes feijões arredondados.Existem citações literárias que esses "feijões" após cozidos eram consumidos por aborígenes. Suas flores acumulam néctar em abundância servindo para alimentas beija-flores e outros pássaros nectarívoros e as mudas encontradas em viveiristas brasileiros são obtidas de sementes. 

                                                                                



TEXTO E FOTOS :   LUIS BACHER

DICAS DE CULTIVO : 

Luz :  Pleno sol .
Solos : Preferenciamente os descompactados e ricos em matéria orgânica. 
Usos : Plantar em locais espaçosos como parques, arboretos e grandes jardins, afastado de construções.

ONDE ENCONTRAR MUDAS :

BACHER AGROCOMERCIAL
Instagram @bacher..agrocomercial
MERCADO DE FLORES CEAFLOR 
Box F-139
Rod. Pref. Aziz Lian (SP-107), Km. 29,3 - Jaguariúna - SP.  ( Entrada para Holambra )
Tel. (19) 99143-5351   Whatsapp  (19) 98188-1667

                                                                                 

                                                                                     
                                                                                   
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              
                                                                                    
                                                                                   
                                                                                     
                                                                                     

                                                                                      
                                                                                    

                                                                                    

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

DR. HERMES MOREIRA DE SOUZA



Uma das maiores personalidades do paisagismo brasileiro. 

        



Conheci o Dr. Hermes Moreira de Souza em 1978, ano em que comecei a trabalhar na Dierberger Agricola S/A. na Fazenda Citra em Limeira - SP.  Na verdade eu só conhecia ele de vista, não tínhamos nenhum tipo de contato. Na época eu me lembro que por ter uma boa caligrafia fui incumbido de escrever as etiquetas de identificação das sementeiras da nossa seção de produção. Todas as sementes que eram coletadas ou recebidas de colaboradores era eu o responsável em escrever as etiquetas que seriam colocadas nas caixinhas das sementeiras e essa atividade me ajudou muito na memorização dos nomes populares e científicos das espécies de plantas. E foi aí que começou a minha admiração pelo Dr. Hermes pois na época ele era colunista no Suplemento Agrícola do jornal O Estado de S. Paulo e a empresa sempre foi assinante dessa publicação. Nas quartas-feiras quando eram publicados os artigos dele a empresa comprava um jornal a mais e encaminhava o exemplar desse suplemento para a seção de produção onde eu trabalhava. As matérias eram fantásticas com textos bastante explicativos  ilustrados com fotos grandes e coloridas sobre plantas que foram introduzidas e adaptadas  através do Setor de Plantas Ornamentais do Instituto Agronômico de Campinas do qual foi o responsável durante muitos anos. Após essas plantas serem estudadas e testadas em situações paisagísticas nas coleções do I.A.C. seus materiais de propagação como sementes, estacas e alporques eram distribuidos aos produtores da região. Ele pessoamente acompanhava a coleta das sementes e posteriomente as colocava em saquinhos de papel sobre os quais escrevia os dados de identificação da espécie como nome popular, científico e data da coleta e posteriormente distribuia aos produtores. A nossa empresa recebia parte dessas sementes e eu sempre fazia as etiquetas de idenficação colocando dentro dos pacotinhos e em seguida encaminhava ao setor de produção onde eram providenciadas as semeaduras.  Graças a essa atividade fui aprendendo uma infinidade de nomes de plantas e tendo o privilégio de poder acompanhar o desenvolvimento de muitas delas depois de serem plantadas no campo. As espécies que não produziam sementes ou produziam pouco em condições brasileiras, ele desenvolvia  matrizes de forma vegetativa e distribuia aos viveiristas interessados, dessa forma conseguimos a nossa primeira planta matriz da famosa RAINHA-DAS-ÁRVORES ( Amherstia nobilis ) Em 1987 com a saída de um antigo chefe de nossa seção de vendas fui convidado para substituí- lo e aceitei, a partir desse momento comecei a ter um contato direto com o Dr. Hermes e passamos a conversar mais frequentemente, ele trazia as sementes e passava atenciosamente as informações sobre as espécies. Ele era extremamente atento ao que acontecia nos viveiros de plantas, principalmente nos de Campinas e Limeira e sempre queria saber o que estávamos produzindo, quando havia alguma espécie diferente levava para fazer a implantação na coleção do I.A.C. e através desse intercâmbio passamos a ter uma grande amizade e sempre estávamos trocando idéias sobre plantas, tinha o hábito de escrever e trocávamos correspondências frequentemente comentando sobre o desenvolvimento das novas plantas  e ainda guardo comigo muitas dessas cartas. Em uma de minhas visitas à sua residência, ele e seu filho Mauricio me levaram para conhecer o resultado de seu trabalho de muitos anos no Complexo Botânico do Monjolinho no I.A.C. Juntamente com o Christian Dierberger fazíamos visitas a outros viveiros sempre em busca de de espécies diferentes. Apesar da idade e a dificuldade para caminhar devido a um atropelamento sério que sofreu nas proximidades de sua residência, ele era incansável e foi convidado para fazer o paisagismo do Laboratório de Luz Sincroton em Campinas e nessa nova empreitada tive a oportunidade de poder auxiliá-lo com a indicação de plantas que tínhamos disponíveis  as quais posteriormente o laboratório adquiria para plantio, algumas menos comerciais produzíamos a pedido dele, ele era bastante meticuloso na seleção das espécies e estávamos sempre trocando idéias sobre o que plantar e onde encontrar as mudas. Periódicamente visitávamos as obras desse novo trabalho dele para ver o desenvolvimento das plantas. Acredito que esse foi um de seus últimos trabalhos e com o término dessa obra nossos contatos passaram a ser menos frequentes pois assumi a função de vendedor da empresa no Mercado de Flores da C.E.A.S.A. Campinas e ele já estava mais envelhecido mas mesmo assim nunca deixou de se interessar pelas novidades em plantas no mercado. Ele e seu filho Mauricio sempre que podiam me visitavam no Mercado de Flores e como sempre me levavam algumas sementes, eu da minha parte ficava muito contente em lhe ceder alguma plantinha pela qual ele se interessasse. Posteriormente faleceu a sua esposa , Sra. Lourdes Waldemarin de Souza , e não muito tempo depois também faleceu seu filho Mauricio Waldemarin de Souza. Esses episódios foram muito tristes pois ele ficou praticamente impossibilitado de visitar o Mercado de Flores onde era tratado com respeito de admiração de todos.  Durante o longo tempo que nós convivemos o que mais me impressionou na pessoa do Dr. Hermes Moreira de Souza foi a sua extrema humildade, quando era convidado para alguma palestra ou recebimento de alguma homenagem  ninguém ficava sabendo, talvez ficasse constrangido em falar sobre o assunto. Houve um episódio interessante em que ele foi homenageado pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), cerimônia realizada em Piracicaba-SP. na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (ESALQ) onde ele se formou como Engenheiro Agrônomo (turma de 1942), e a caminho do local ele teve um tempinho para passar aqui na Fazenda Citra para saber das novidades porém sem tocar no assunto do evento, só viemos a saber da homenagem em notícia publicada dias depois no Suplemento Agrícola do jornal O Estado de S. Paulo. Outro fato que me surpreendeu foi quando em uma de nossas conversas  informais perguntei a ele onde eu poderia adquirir um dicionário de latim para que pudesse entender alguns nomes botânicos de plantas e já na próxima oprtunidade em que visitou a fazenda ele me presenteou  com seu Dicionário Escolar Latino-Português que utilizou em seus estudos, guardo esse livro como uma relíquia. O Dr. Hermes Moreira de Souza era Engenheiro Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (ESALQ) de Piracicaba SP.  Em 1943 ingressou na Seção de Botânica do Instituto Agronômico de Campinas de onde se transferiu  posteriormente para o Setor de Floricultura da Seção de Olericultura e Floricultura. Os trabalhos desenvolvidos nesse setor resultaram  na ampliação do mesmo e teve como resultado a criação da Seção de Floricultura e Plantas Ornamentais da qual foi chefe até a sua aposentadoria em 1983. Posso afirmar com toda a certeza que uma das minhas maiores realizações pessoais foi a participação como co-autor no livro "Árvores Exóticas no Brasil - Madeireiras, Ornamentais e Aromáticas " juntamente com o autor Harri Lorenzi , Hermes Moreira de Souza e Mário Antonio Virmond Torres. Foi extremamente gratificante dividir com eles um trabalho sobre uma grande quandidade de espécies arbóreas que pudemos ver crescer, florescer e se tornarem  realidade no paisagismo brasileiro.  O Dr. Hermes Moreira de Souza faleceu em 09/08/2011, deixou obras paisagísticas importantes como os Jardins da C.A.T.I. (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), Complexo Botânico do Monjolinho do I.A.C. e Laboratório de Luz Sincroton do Ministério da Ciência e Tecnologia, essas obras todas em Campinas.  Também realizou trabalhos em outros munícipos como na Prefeitura de Nova Odessa SP. , Refinaria da Replan em Paulínia SP.  e a Coleção de Palmeiras e Outras Espécies do campus da USP/ESALQ de Piracicaba SP. Juntamente com Harri Lorenzi, Engenheiro Agrônomo e proprietário do Instituto Plantarum de Nova Odessa SP. nos deixou livros de valor inestimável para o paisagismo brasileiro, fontes de consulta permanente para os profissionais do setor : Plantas Ornamentais no Brasil, Palmeiras no Brasil - Nativas e Exóticas, Árvores Exóticas no Brasil - Madeireiras, Ornamentais e Aromáticas  e Palmeiras Brasileiras e Exóticas Cultivadas.  Foi uma pessoa fantástica que jamais será esquecida, basta um breve passeio pelas áreas urbanas de Campinas e as palmeiras das mais diferentes espécies e árvores introduzidas de várias partes do mundo se incumbirão de mantê-lo sempre vivo entre nós.

                                                               

                         

                                        RAINHA-DAS-ÁRVORES ( Amherstia nobilis )

                                                   " Que as árvores exóticas, nobres ou humildes, vindas de outros mundos, sejam respeitadas e protegidas e que possam conviver com as nativas, dando a sua contribuição, à semelhança de imigrantes, para o enriquecimento  e melhoria do meio em que vivemos. Para as árvores não deve haver fronteiras, o clima é a única que as limita. "   Hermes Moreira de Souza 

                                                                                                                                                                       


                                         Bauhinia hermesiana (Bauhinia uruguayensis)

                                                          *Nome em sua homenagem.


                                                                               


                                       IPÊ-BRANCO DE FLORAÇÃO PROLONGADA 

                                                ( Handroanthus avellanedae ''Alba'' ) 

                                             *Presente dele aqui para a Fazenda Citra.


         Texto : LUIS BACHER  

         Fotos : LUIS BACHER ( Exceto a 11a. ,12a. , 13a. e 14a. )

    #hermesmoreiradesouza #institutoagronomicodecampinas #institutoplantarum #luisbacher


                                                            GALERIA DE FOTOS :   

                                                           

                                                                                                                                                                    



                                                                                    


                                                                                     


                                                                                      

                                                                                      

                                                                                       

                                                                                   

                                                     Marcelo, Antônio Geremias,

                                                     Marilia W. de Souza, Francisco 

                                                     de Assis Leitão Moraes, Ademar 

                                                      e José. 
 

                              
                      Dr. Hermes Moreira de Souza homenageado pela SBAU (Sociedade
                      Brasileira de Arborização Urbana da qual ele se tornou Sócio Hono-
                      rário em 1994.                                                        

                                                                                      

                                                                           





                                                                                      


                              Obras de grande importância para o paisagismo brasileiro

                              resultantes da parceria  de HARRI LORENZI  ( Instituto 

                              Plantarum ) e Dr. HERMES MOREIRA DE SOUZA . 

                             *Programa Verde Manah ( Bunge Fertilizantes S/A.)